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As serpentes, também chamadas
cobras
ou ofídios, são
répteis
poiquilotérmicos
(ou pecilotérmicos) sem patas, pertencentes à sub-ordem Serpentes,
bastante próximos dos
lagartos,
com os quais partilham a ordem
Squamata.
Há também várias espécies de lagartos sem
patas
que se assemelham a cobras, sem estarem relacionados com estas.
A atracção pelas serpentes é chamada de ofiofilia, a repulsão é
chamada de ofiofobia.
O estudo dos répteis e
anfíbios
chama-se
herpetóloga
(da palavra grega herpéton que significa "aquilo que rasteja" -
em especial, serpentes).
Alimentação |
Todas as serpentes são
carnívoras,
comendo pequenos
animais
(incluindo lagartos e outras cobras),
aves,
ovos
ou
insectos.
Algumas cobras têm uma
peçonha
venenosa
para matar as suas
presas
antes de as comerem. Outras matam as suas presas
por
constrição.
As cobras não
mastigam
quando comem, elas possuem uma
mandíbula
flexível, cujas duas partes não estão
rigidamente ligadas, esse feito se dá graças ao
osso quadrado que funciona como uma peça de
encaixe, que quando necessário ela desarticula
sua mandíbula dependendo do tamanho de sua presa
(ao contrário da
crença
popular, elas não desarticulam as suas
mandíbulas), assim como numerosas outras
articulações
do seu
crânio,
permitindo-lhes abrir a
boca
de forma a
engolir
toda a sua presa, mesmo que ela tenha um
diâmetro
maior que a própria cobra.
As cobras ficam
entorpecidas, depois de comerem, enquanto
decorre o processo da
digestão.
A digestão é uma actividade intensa e,
especialmente depois do consumo de grandes
presas, a energia metabólica envolvida é tal que
na
Crotalus durissus,
a cascavel mexicana, a sua temperatura corporal
pode atingir 6 graus acima da temperatura
ambiente. Por causa disto, se a cobra for
perturbada, depois de recentemente alimentada,
irá provavelmente vomitar a presa para tentar
fugir da ameaça. No entanto, quando não
perturbada, o seu processo digestivo é altamente
eficiente, dissolvendo e absorvendo tudo excepto
o pêlo e as garras, que são expelidos junto com
o excesso de ácido úrico.
Normalmente, as
serpentes não costumam atacar seres humanos, mas
há relatos envolvendo serpentes grandes, como
pythons. Apesar de serem dóceis, existem algumas
espécies particularmente agressivas, mesmo
assim, a maioria não ataca seres humanos, a
menos que sejam assustadas ou molestadas,
preferindo evitar este contacto.
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Pele |
A
pele das
cobras é coberta por escamas. As escamas do corpo podem ser
lisas ou granulares. As suas pálpebras são escamas transparentes
que estão sempre fechadas.
Elas mudam a sua pele periodicamente
ecdise.
Pensa-se que a finalidade primordial desta é remover os
parasitas externos. Esta renovação periódica tornou a serpente
num símbolo de saúde, como por exemplo o símbolo da medicina: o
bastão de Esculápio.
Em serpentes "avançadas" (Caenophidian),
as escamas da barriga e as fileiras largas de escamas dorsais
correspondem às vértebras, permitindo que os cientistas contem
as vértebras sem ser necessária a dissecação. |
Sentidos |
Apesar da
visão não
ser particularmente notória (geralmente sendo melhor na espécie
arboreal e pior a espécie terrestre), não impede a detecção do
movimento.
Para além dos seus olhos, algumas
serpentes (crotalíneos
- ou cobras-covinhas - e pitons) têm receptores
infravermelhos
sensíveis em sulcos profundos chamados de fossetas que lhes
permite sentir o calor emitido pelos corpos.
Isto é extremamente útil em lugares com
pouca luminosidade. Como as serpentes não têm orelhas externas,
a
audição
consegue apenas detectar vibrações, mas este sentido está
extremamente bem desenvolvido. A maioria das serpente usa a sua
língua
bifurcada para captar partículas de odor no ar e enviá-las ao
chamado
órgão de Jacobson,
situado na sua
boca,
para examiná-las.
A bifurcação na língua dá à
serpente algum sentido direccional do cheiro. |
Órgãos Internos |
O
pulmão
esquerdo é muito pequeno ou mesmo ausente, uma vez que o corpo
em forma tubular requer que todos os órgãos sejam compridos e
estreitos.
Para que caibam no corpo,
só um pulmão funciona.
Além disso muitos
dos órgãos que são pares, como os
rins ou
órgãos reprodutivos
estão distribuídos ao longo do corpo em que um está à frente do
outro, sendo um exemplo de excepção da
simetria bilateral
. |
Reprodução |
As serpentes usam um vasto
número de modos de reprodução.
Todas usam fertilização
interna, conseguida por meio de
hemipénis
bifurcados, que são armazenados invertidamente
na cauda do macho. A maior parte das serpentes
põe ovos e a maior parte destas abandona-os
pouco depois de os pôr; no entanto, algumas
autores entendem que essas espécies são
ovovivíparas
e retém os ovos dentro dos seus corpos até estes
se encontrarem prestes a eclodir.
Recentemente, foi
confirmado que várias espécies de cobras
desenvolvem os seus descendentes completamente
dentro de si, nutrindo-os através de uma
placenta
e um
saco amniótico.
A retenção de ovos e os
partos ao vivo são normalmente, mas não
exclusivamente, associados a climas frios, sendo
que a retenção dos descendentes dentro da fêmea
permite-lhe controlar as suas temperaturas com
maior eficácia do que se estes se encontrassem
no exterior.
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